domingo, 8 de agosto de 2010

Não te amo, não.

Não te amo, quero te: o amor vem d'alma.
E eu n'alma - tenho a calma.  
A calma - do jazigo.
Ai! Não te amo, não.


Não te amo, quero te: o amor é vida.
E a vida - nem sentida. 
A trago eu já comigo. 
Ai! Não te amo, não.


Ai! Não te amo, não; e só te quero.
De um querer bruto e fero. 
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.


Não te amo. És belo; e eu não te amo, ó belo.
Quem ama a aziaga estrela. 
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?


E quero te, e não te amo, que é forçado, 
De mau, feitiço azado.  
Este indigno furor.
Mas oh! Não te amo, não.


E infame sou, porque te quero; e tanto.
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar...não te amo, não.

                               - Almeida Garrett

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