sábado, 31 de julho de 2010

Admirável Mundo Novo - 5° Relato

Juro que não queria acordar. Eu já me encontrava melhor do resfriado, mas com uma preguiça sem tamanho. Meus ouvidos estavam gelados devido a potência do ar condicionado. Três cobertores foram ótimos companheiros na jornada matutina ao reino dos sonhos. Como sempre eu fui o primeiro a acordar -ou ser acordado, não tenho certeza - e consecutivamente acordei a irmã menos preguiçosa com beijos e carinhos. É realmente muito bom dormir ou acordar com beijos e carinhos, mesmo sem segundas intenções. Particularmente eu curto. Seja quem for. E se ainda for de meu algoz, meu Deus. hahaha.
Mas retornando ao relato. Tinhamos uma agenda para cumprir. E meus instintos me avisaram que nada sairia exatamente como o planejado, ou pelo menos não na hora do planejado. Mas elas tinham algo importante a conquistar e queriam minha presença.
Enquanto as princesinhas despertavam se aos beijos e abraços em sua particularidade íntima eu aguardei preguiçoso na sala conversando com o mãe de uma delas e uma outra mulher muito bonita e que se tornou muito amiga. Realmente acho ela atraente, mas sei onde não devo pisar.
Pelos Deuses, um taxi viria nos buscar em Caxias e nos levar para Copacabana. Para casa da mãe de uma delas. Antes de conhecer a figura, fui alertado de que ela era uma pessoa pirada e sabia que a filha e a consorte não queriam vê-la. Mas precisavam. Um receio estranho cresceu em meu peito.
O ser tão temido era uma pequena mulher hippie e 'maluco beleza', engraçada, falastrona e sem nenhuma espécie de filtro ou 'simancol'. Cara, como uma mulher assim põe medo em alguém se não devido aos rios de dinheiro que tem pra gastar herdados do recem falecido marido. O motivo de nossa visitinha? Compras para a reforma do apartamento. Tintas especiais. Tapeçaria de alta qualidade. E uma lista imensa de móveis para adornar o local. Meu Deus, nunca vi coisa similar. Quase vinte mil reais de compras em uma só vez. Mas eu estava feliz por minhas amigas. Infelizmente, a compra teve de ser adiada por motivos técnicos. Isso foi depois de quase duas horas na mesma loja. Eu ri de nervoso. E vi o sorriso da rica 'alerquina' carioca murchar. Sem perder a pose fomos embora com promesa de voltarmos muito em breve pra buscar tudo. E não deve ser mentira, já que a intenção é convicta. 
Dali fomos a casa do que seriam meus novos amigos. Dois caras fora de série. Sensacionais. Mas completamente fora do meu mundo e realidade. Gente que nasce em berço de ouro enxerga o mundo de forma diferente da das pessoas as quais estou acostumado a lidar. Mas continuam sendo tão boas, excêntricas e divertidas quanto quaisquer outras. Confesso que esperava um pouco mais de diversão. Mas consegui arrancar lágrimas de gargalhadas de todos, até mesmo as minhas. rs
Fomos dormir tarde. (Como sempre.)
Meu repouso foi escolhido por mim. Entre as opções de dormir no quarto do belo rapaz gay, do inteligente irmão hétero, das meninas ou no sofá da sala. Eu acanhadamente pedi a permissão para ficar com as girls. Tendo certeza que não incomodaria ninguém e nem daria chance a interpretações erradas. (Eu acho)
Colchonete + chão = Binho dormindo. 
Sozinho em meu canto eu me peguei a adimirar os detalhes do quarto. Mas não sei dizer lhes como eram. Eu so enxergava o rosto do meu algoz. Lembrava de sua boca e de sua voz. De seu toque e da cara de indiferente que fazia quando eu mais o queria. E depois do sorriso infantil e pidão de quando eu estava pregado de sono e ele o extremo oposto desejava algo mais picante. 
Me pergunto, as vezes, se isso é normal. Já se passaram quatro dias. Ou apenas quatro dias. Não estou morrendo sem ele. Não estou vivendo sem ele. Ou será que estou? 
De qualquer forma eu sinto falta. Muita falta. 
Aqueles que conhecem a historia de desamor de Lady Gaga entenderiam porque eu me conformei do qual sou normal quando ler. Não que ela seja uma completa pirada. Eu nem gostava tanto dela assim. Mas acabei pensando depois de lêr neste fim de semana. Desilusão amorosa não tem cura, você pode ter amantes, dinheiro e fama, mas nada cura a dor de um verdadeiro amor. 
Ele pensa que está me fazendo bem ficar longe para que eu o esqueça, julgando que foi muito ruim pra mim? Tolinho. Eu decido isso. 
Não sou Gaga. Mas sou Binho.
E com certeza eu sou mais eu!!!         

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